DreamQualquer coisa de obscuro permaneceNo centro do meu ser. Se me conheço,É até onde, por fim mal, tropeçoNo que de mim em mim de si se esquece.Aranha absurda que uma teia teceFeita de solidão e de começoFruste, meu ser anónimo confessoPróprio e em mim mesmo a externa treva desce.Mas, vinda dos vestígios da distânciaNinguém trouxe ao meu pálio por ter genteSob ele, um rasgo de saudade ou ânsia.Remiu-se o pecador impenitenteÀ sombra e cisma. Teve a eterna infância,Em que comigo forma um mesmo ente. Fernando Pessoa Claro que já me disseste tu e é qquanto basta.Deixo um beijinhoJosé
Dream
ResponderEliminarQualquer coisa de obscuro permanece
No centro do meu ser. Se me conheço,
É até onde, por fim mal, tropeço
No que de mim em mim de si se esquece.
Aranha absurda que uma teia tece
Feita de solidão e de começo
Fruste, meu ser anónimo confesso
Próprio e em mim mesmo a externa treva desce.
Mas, vinda dos vestígios da distância
Ninguém trouxe ao meu pálio por ter gente
Sob ele, um rasgo de saudade ou ânsia.
Remiu-se o pecador impenitente
À sombra e cisma. Teve a eterna infância,
Em que comigo forma um mesmo ente.
Fernando Pessoa
Claro que já me disseste tu e é qquanto basta.
Deixo um beijinho
José